
quarta-feira, 29 de abril de 2009
05 livros para serem lidos em uma maratona literária:

quinta-feira, 21 de agosto de 2008
05 livros que me tornaram leitora...
5) O mistério da cidade fantasma – Marçal Aquino: quem nunca leu um livro se quer da Coleção Vagalume, não teve infância!!! Se tratava simplesmente da seleção de histórias mais legais, dos autores mais interessantes. É claro que tinham alguns exemplares que não faziam muito a minha cabeça, especialmente aqueles que eram cheias de moralzinha e ensinamentos. Meu interesse mesmo estava nos livros de mistério, como este que eu adorava. Não é a toa que mais tarde fui virar leitora de Agatha Christie. Marçal Aquino era meu segundo escritor predileto, o primeiro tu descobre depois...
4) Um conto de Natal – Charles Dickens: sabe aquelas histórias que tu ouve um zilhão de vezes e acha o máximo, mas nem sabe quem a criou? Eu lia sem parar essa história em um dos volumes do Tesouro da Juventude (pessoas pós-anos 90, não devem saber do que se trata). Eu precisei crescer um pouquinho para descobrir que o conto sobre um velho sovina que recebe a visita dos fantasmas do passado, presente e futuro, se tratava na verdade de uma das obras de um escritor fabuloso chamado Charles Dickens. Depois disso foi só mergulhar no mundo do Oliver Twist e de Grandes Esperanças...
3) O cavaleiro da rosa no supermercado – Antônio Hohlfeldt: leituras escolares obrigatórias nunca me incomodaram muito (pelo menos até a chegada do período pré-vestibular). Esse livro li na sexta série e falava sobre um rapaz pobre que se mudava para uma cidade grande (Porto Alegre). Lembro que o autor foi até na minha escola conversar com os alunos. Eu era fascinada pela história porque me identificava com o personagem Alexandre, e tinha certeza (e ainda tenho) que o local onde ele trabalhava é o supermercado que fica aqui do lado do meu prédio. Mais tarde, coisa do destino, o escritor veio se tornar meu professor na faculdade, na cadeira de Leituras em Jornalismo, uma das mais interessantes que já tive...
2) Sozinha no mundo – Marcos Rey: aqui está meu autor predileto da coleção Vagalume. Dificilmente tinha um livro de Marcos Rey que eu não gostava (com exceção dos poucos em que ele quis dar uma mexidinha com ficção científica, que não é a minha praia). Mas o meu livro de cabeceira e coração era Sozinha no mundo. Bem que tentei encontrar uma imagem boa da Pimpa para colocar no meu álbum de alter-egos no orkut, mas não achei. Eu amava tanto esta história triste, emocionante e misteriosa, que cheguei a recomendar para a minha mãe colocar como leitura do semestre para os alunos dela. Se eles gostaram ou não, não sei dizer, só sei que este livro sempre foi parte importante da minha história...
1) A casa das 4 luas – Josué Guimarães: finalmente o livro que mais me encantou ainda criança. Foi na quinta série que li A casa das 4 luas pela primeira vez. Todas aquelas imagens construídas pelo escritor gaúcho me deslumbravam e me levavam para o mundo daquele grupo de crianças que sai para acampar. O que eles vão descobrindo aos poucos é o mundo muito alem das cercas do sítio da família. Depois disso, Guimarães virou um dos meus ídolos, inclusive obriguei a minha mãe a comprar outros livros dele pra mim, mas nenhum se equiparou à Casa das 4 luas!
sábado, 22 de dezembro de 2007
05 personagens que valeriam uma grande reportagem...
Devido à falta de subsídios, traduzindo: computador decente e internet, o Receituário ficou parado! Mas era preciso voltar antes que 2007 acabe! Antes de 2008 ainda vem a lista de melhores discos de 2007! Como diria Regina Spektor: you just have to wait...Aos poucos vou entrando em modo stand by. Preciso descansar um pouco e planejar o ano seguinte porque tenho uma pedreira pela frente: a temida monografia. Com anteprojeto pronto, agora é hora de por a mão na massa e a pressão é grande.
Então, como tenho respirado jornalismo literário, resolvi fazer uma lista um pouco diferente. Como fã de grandes nomes deste gênero jornalístico (porque não é apenas literatura!!!) como Gay Talese, Tom Wolfe, Joseph Mitchell e Norman Mailler tentei imaginar: se pudesse escrever grandes reportagens do tipo O Segredo de John Gould ou qualquer uma contida em Fama e Anônimato, sobre quem eu faria?
De repente, assistindo um filme, me deparei com a idéia: existem personagens no cinema tão humanos e fascinantes que se fossem reais seriam grandes temas para até mesmo um livro. Para preservar a integridade da idéia de realidade, tirei qualquer personagem de filmes de fantasia. Não é dessa vez que eu entrevisto o Sirius Black!!! Aqui vai a lista de 05 personagens que valeriam uma grande reportagem...
01) Arthur Abbott - finalmente o número 1, o homem que inspirou essa lista. Que eu adoro o filme O Amor não tira Férias, todo mundo sabe. Mas apesar de Jude Law sempre ser um grande atrativo, a razão do meu afeto no filme de Nancy Meyers é esse personagem vivido por Eli Wallach. Arthur é um antigo roterista de filmes clássicos de Hollywood. Agora, já velhinho, ele guarda em casa e na memória, lembranças da era dourada do cinema americano. O discurso de Arthur quando ele vai receber uma homenagem pela sua contribuição para o cinema define bem o personagem: "Eu vim para Hollywood a mais de 60 anos e imediatamente me apaixonei pelos filmes. E este é um romance que tem durado uma vida inteira. Logo que eu cheguei a Inseltown, não havia cineplexes ou multiplexes. Nada do tipo Blockbuster ou DVD. Eu estava aqui antes dos conglemerados serem donos dos estúdios. Antes dos filmes terem equipes de efeitos especiais. E definitivamente antes dos resultados do box office ser noticiado como o resultado do baseball no jornal da noite...". Horas e horas de conversas passariam como um raio, com tantas histórias maravilhosas para serem contadas...
No próximo Receituário: apenas os melhores...
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
5 discos para ouvir em um retiro intelectual...
Já que tenho 3 livros para ler até terça, e mais aquele monte de coisa, meus próximos momentos serão destinados a me trancafiar no quarto com meus livros, meus discos e nada mais (como eu adoro parafrasear essa música)! Para quem se encontra no mesmo estado que eu, lá vai a dica de 05 discos para ouvir nestes momentos de retiro intelectual!
05) The Secret Machines - Now here is nowhere: como ando muito cansada, tenho que fazer força para acordar todos os dias. E como preciso de todo tempo do mundo para ler muito, é bom colocar o relógio para despertar cedo até no Domingo. Então sair do estado de estagnação mental do sono para um fluxo de consciência acelerado nada melhor que The Secret Machines! Meu rádio já liga direto em Nowhere Again, injeção de adrenalina no ouvido!
04) Paul Westerberg - 14 songs: interessante que em momentos que preciso me concentrar, tenho a tendência de ouvir mais artistas solo do que bandas. Será que Freud explica? Nesse disco, o vocalista do Replacements une músicas suaves com alegres, vide Knocking on mine, e quando você vê se passaram os 48 minutos do disco (isso quando ele não fica no repeat por tempo indeterminado) e conseguiu ler mais do que achou que conseguiria...
03) Bright Eyes - Cassadaga: eu não queria por o último disco de senhor Connor Orbest porque ele estará na minha lista de melhores do ano. Mas não posso evitar o efeito estimulante que a música dele tem! Ouvir algo inteligente, profundo mas que ao mesmo tempo é pulsante. Pode ser o estilo dos livros que estou lendo mas, Hot Knives por exemplo, parece uma trilha perfeita para Hamlet. Frases de impacto tanto em Cassadaga quanto na longínqua terra da Dinamarca...
02) The National - Alligator: quase dormindo em cima dos livros, coloco Abel e levo um choque de 1000 Voltz! Depois da corrente elétrica, outras faixas como Daughters of the Soho riots ajuda a iluminar as idéias. Se The National não estivesse nessa lista do que tenho ouvido atualmente, eu teria que colocar Nick Cave no lugar, mas com ele eu admito que é mais difícil manter a concentração por um longo período!
01) Ella Fitzgerald - Sing me a swing song: certa hora é impossível não ficar, quase desistindo dos afazeres. Então pego o rádio, ponho esse disco, vou tomar banho ouvindo Ella e contínuo os estudos bem relaxada, porque é isso que a voz de Miss Fitzgerald faz comigo! Me deixa novinha em folha! Dá até vontade de esboçar um sorriso ao ouvir You'll have to swing it. Simplesmente porque Ella é Ella!
Agora de volta ao batente, mas... Interpol! No Brasil! Março de 2008! Meu aniversário... dor de estômago!
No próximo Receituário: de volta com as amigas da Julieta...
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Atendendo a pedidos...
Meme é tipo uma corrente entre blogueiros. Os memes, em geral, funcionam assim:
1º Alguém inventa um Meme. Exemplo
2º Esse alguém fala para quem quiser postar sobre o assunto e passar adiante.
3º As pessoas que gostaram postam sobre o meme em seus blogs e convidam os mais próximos a fazerem o mesmo. Exemplo
4º Os mais próximos postam o meme e passam adiante
5º E assim vai se espalhando...
Que eu idolatro Ernest Hemingway isso não é novidade, mas este filme é a prova que uma adaptação pode ser fiel, praticamente sem tirar nem por! Assisti o filme para fazer um trabalho comparativo entre o original e a versão e posso afirmar, para quem acha que até diálogos devem ser preservados em casos como esses, aqui está um ótimo exemplo. Mas admito que o livro ainda é melhor. Talvez pelos poucos recursos da época, o filme é lento e as metáforas de Hemingway parecem se perder em meio a imagens repetitivas.
Eu simplesmente idolatro esse filme e se possível, quando me formar em Letras, faço a minha monografia comparando esta produção com o original escrito por Charles Dickens. No caso do filme de Alfonso Cuarón, a adaptação ficou livre o bastante para modernizar a história escrita no século 19. O diretor tirou a trama do velho mundo Londrino e trouxe para a cidade que tem novidade até no nome, Nova York. É difícil falar de um filme tão perfeito. Sobre a trilha pelo menos eu consegui. Leia aqui...
O segundo pedido que me foi feito veio do blog da minha amiga, Lívia. Quem nunca participou de correntes literárias? Aqui vai mais uma:
Minhas 5 indicações para responder ao Meme e (ou) a corrente literária? Ah, não quero obrigar ninguém, mas só para não ir contra a corrente indico a Lívia (vai que o Meme é teu hehehe), o Negão, o Yan (que fez a bondade de criar o lay do Receituário), a Maitê (de blog novo) e a Ingrid (agora com um motivo para atualizar).
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Reflexões rápidas 3
A edição de Setembro da Revista YMSK entrou no ar e eu nem tive tempo de divulgar aqui no Receituário. Entre as matérias da vez estão: trilha sonora de La Femme Nikita, biografia do Elvis "o rei" Presley, resenhas de Okkervil River, Gogol Bordello e Ira!, capa com Bo Diddley e mais a Discotopia: 10 obras literárias que inspiraram obras musicais.
Se Cecil Taylor força os limites, outro cara que fez isso é Hunter S. Thompson. O escritor de Fear and Loathing in Las Vegas e grande nome do estilo Gonzo de jornalismo foi parar na capa da revista Rolling Stone americana. Eu quero!!! Mais barato que ingresso e viagem para o Tim!quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Portfólio IV
A música composta por Zé Rodrix e Tavito dizia algo como “Eu quero uma casa no campo, onde possa plantar os amigos do peito, meus livros e discos...“. Na voz de Elis Regina, a canção sempre me deu uma sensação de saciedade por falar sobre as coisas que eu realmente queria na vida. Contínuo querendo meus livros, meus discos e amigos por perto, mas casa no campo só se tiver computador e Internet. Mal da modernidade? Vício em tecnologia? Há uma razão especial para colocar o computador e a Internet na lista de essenciais: a Mojo Books (http://www.mojobooks.com.br/).O dilema do início...
O que veio antes, o ovo ou a galinha? A literatura ou a música? No caso da Mojo Books, o começo foi com música. Quanto ao ovo ou a galinha, nunca cheguei a uma conclusão.
A Mojo Books é praticamente uma ONG, dedicada a propagar os valores literários pelo planeta, em kbytes. O projeto é bancado por Danilo. Custos de produção, banda de downloads... sai tudo do bolso do pai da Mojo. Mas vale a pena porque dá para alcançar objetivos criativos maiores, que são concentrados na vontade de criar uma cultura pop que estimule a leitura e também, quem sabe, em revelar novos talentos literários. Os primeiros sortudos que puderam espalhar o Mojo foram convidados pelos editores. Agora, o site já tem obras esgotadas e aceita colaborações de interessados desconhecidos. Mas não basta dizer que quer e sabe escrever, tem que provar passando pelo escrutínio do processo editorial, a revisão e finalmente edição.
A perseguição da vida...
Nome, CPF, RG, endereço... esqueça essas informações, elas só são essenciais nos cadastros e fichas desagradáveis de preencher, com literatura e música a coisa é mais intíma. Paulo Ferro Junior nasceu, cresceu e sobreviveu em São Paulo há quase 27 anos. Na mistura de artes, ele ainda adiciona o teatro, mas não vive apenas disso. Os cinemas, peças e livros são pagos com alguns serviços de freelancer em editoria.
Literatura é o esquema...
No começo do trajeto pela estrada das palavras, música e literatura andavam juntas na forma de críticas musicais e poesias. O próximo passo da jornada veio em um mergulho na literatura brasileira, enquanto ainda rascunhava estórias em um caderno na busca por técnicas de escrita: “Li os Azevedos e arrisquei meu primeiro livro. Logo invadi as páginas de Jorge Amado e aprendi muitas técnicas legais para prender o leitor”. É por esse caminho que o representante comercial de medicamentos, André Gamma chegou à Mojo Books. André ferve por sua terra. Suas palavras são contaminadas por tamanha paixão que dá vontade de pegar o próximo avião direto para a capital de Pernambuco. O carinho por suas raízes aproxima o leitor da cidade, assim como Jorge Amado o colocou em contato com a Bahia: “Sempre fui um cara bairrista em relação a Pernambuco, mas ao ler Jorge Amado, fiquei com muita vontade de conhecer Salvador e seu povo!”. Mas voltando a música...
O fim é o começo da introdução...
Filipe Luna também tem 27 anos, nasceu em Recife, mas, por favor, não o culpem. Ele não pode escolher onde queria que a cegonha o deixasse. Mas escolher a profissão ele pode, então ter se formado em Arquitetura é culpa total dele, que depois foi levado a escrever através da paixão por música.
Escrevendo uma história cheia de lágrimas...
Cantor nacional ou internacional? Escritor brasileiro ou estrangeiro? Na Mojo Books tem para todos os gostos. Pablo Melgar tem 31 anos e nasceu em Cuzco, no Peru, mas não pousou na Mojo Books de pára-quedas. O peruano é também um publicitário que adora brincar com textos, escrevendo vários contos. Durante um tempo, morou em São Paulo, onde conheceu Danilo Corci. O futuro editor da Mojo Books, além de amigo se tornou crítico dos textos de Melgar. Junto com o nascimento da Mojo, veio o convite para escrever uma história especialmente para o site.
Você está pronto?
Troque o terno preto do Juanito Plata por uma roupa chamativa como um caleidoscópio lisérgico em uma sala iluminada por um globo espelhado. Agora é hora de festa! O mestre de cerimônias atende pelo nome Guilherme Choovanski, e a trilha para a celebração é Deee Lite! Não se lembra dos criadores de World Clique? Que tal cantar e dançar esdruxulamente Groove is in the heart? Agora sim estamos falando a mesma língua.
Lady Stardust cantava suas canções de escuridão e consternação...
Homens, homens e mais homens... assim a Mojo Books está mais para Clube do Bolinha do que para editora virtual. Mas não, também há lugar para Luluzinhas! Maria Lutterbach é de Belo Horizonte. Jornalista freelancer, escreve para a revista literária de bolso, Mininas. Revistas literárias não são comuns, de bolso então, menos ainda, mas uma revista literária de bolso com textos feitos por mulheres. O mundo habitado por Evas, Afrodites e Marias também pode influenciar as crônicas que Lutterbach escreve para o jornal O Tempo. Maria também mantém o blog Notas Submersas desde 2003. E o futuro da Mojo Books?
O site provou ser um espaço democrático e talvez seja seu maior mérito. Há literatura feita na Internet bem cuidada e para todos. A maioria dos que já colaboraram com histórias não se dedicam exclusivamente à literatura, por mais que fosse a vontade mais profunda. Também é provável que sem a Mojo Books e suas facilidades, os mesmos aspirantes a literatos não tivessem a chance de publicar um livro.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Portfólio III
Aonde: jornal Hipertexto
Quando: Julho de 2007
Imagem: por Sabrina Feijó
Observações: eleita a melhor Reportagem Impressa no 20º Set Universitário. Veja a lista completa de vencedores.
A utilização do passado no presente caracteriza os livros contemporâneos
Autores se tornam personagens
De construtores de histórias a personagens de outras narrativas. Assim alguns escritores são imortalizados em histórias em que passam a ser personagens. Está se tornando comum, autores clássicos serem homenageados, não com biografias, mas como parte de um enredo fictício.
Livros consagrados como A Última Quimera, de Ana Miranda, e Em Liberdade, de Silviano Santiago, utilizam Augusto dos Anjos e Graciliano Ramos como protagonistas de uma trama. Na coleção O Bairro, Gonçalo Tavares transformou pessoas como Kafka, Brecht, Calvino e Fernando Pessoa em vizinhos para que, em cada livro, possa falar da trajetória destes homens, misturando realidade e fantasia. A professora Márcia Ivana Lima e Silva, da UFRGS, vê nestas obras uma maneira de aproximar o leitor do escritor: “Como coordenadora dos arquivos literários de Guilhermino César e Caio Fernando de Abreu, vejo como a dimensão humana do autor é genial para aproximá-lo do leitor, que passa a vê-lo também como um ser que tem conflitos e se dedica a literatura com vontade”.
José de Alencar foi precursor da interatividade
A proximidade do leitor com a obra literária cresce de forma que, para muitos, acompanhar histórias não é mais o suficiente. Juntando a vontade de se envolver diretamente com as tramas, com as facilidades proporcionadas pela internet, nasceram as fanfictions, histórias publicadas na web por fãs, não apenas de literatura, como também de filmes e séries de televisão.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
A insustentável leveza de ser Amélie...
Amélie Nothomb é a escritora que me levou a parar de escrever. Essa afirmação soa tão confusa quanto muitas das tramas nos livros desta escritora belga, mas essa é a verdade. Contrariando a natureza que faz com que o fã se inspire no ídolo, eu parei de inventar histórias depois que li Higiene do Assassino. Tudo o que pudesse sair de ficcional da minha cabeça não seria nem ao menos metade tão interessante do que as histórias de Amélie. E se não é para ser bom, então é melhor não ser!!!
Cativada na primeira leitura daquela literatura tão estranha e nova. Na orelha do livro o estranhamento já começava: "Um câncer raro desafia o octogenário Pretextat Tach...". Quem diabos chama alguém Pretextat?! A descrição do personagem também não é algo muito favorável: "Pretextat é uma figura repulsiva. De tão gordo, vive preso a uma cadeira de rodas por não ser mais capaz de andar...". Nada, por mais ultrajante, nojento, ou seja qual for o defeito, me impedia de devorar cada palavra daquele livro que mudaria minha vida.
O estranho é o que há de mais intrigante! Seguindo a ordem veio As Catilinárias. Mulher com um gosto requintado para nomes e palavras difíceis. Mas Amélie é a rainha das catilinárias, das acusações violentas e eloqüentes, por isso é tão bem definida como alguém que "conta histórias perversas do mesmo modo como algumas crianças se divertem arrancando asas de insetos". Essa belga perturba nossos pensamentos com o seu cinismo que faz com que o desejo de um dia ser ela cresça sem fronteiras.
Atingimos a um ponto que não há mais como negar: Amélie nasceu para escrever e eu serei eternamente grata por isso. Em A Metafísica dos Tubos, nada se restringe a papos filosóficos enfadonhos, porque ela inova recriando a forma de se escrever uma autobiografia. Mas espere um instante, como pode ser um retrato da escritora se eu posso me enxergar tão bem em suas descrições? Lendo sobre os jovens tubos, pude entender finalmente o grande poder do chocolate branco. Ficou tudo confuso? Que continue assim porque eu nunca poderia entregar os divinos segredos dessas obras que merecem ser lidas, uma, duas, três, quatro, cinco vezes...
Então, se Pretextat já era incomum, que tal Plectrude?! Mesmo que o livro seja entitulado Dicionário dos Nomes Próprios, Plectrude não pode ser considerado um nome. É na verdade uma sina que só poderia ser o ponto central de uma trama onde a escritora embarca mais uma vez no ramo das biografias, mas dessa vez supera a si mesma e descreve ninguém menos do que o próprio assassino. Eu já deveria ter avisado, mas antes tarde do que nunca: Amélie não deve ser entendida e sim vivenciada.
Não queria que fosse o fechamento, mas se não há outra opção... Medo e Submissão foi o último livro que li desta que ainda nem chegou aos 40 anos. Poderia haver outros se as editoras se dignassem a apurar a publicação de suas obras aqui no Brasil. Talvez de todas as suas histórias, essa tenha sido a que mais me deixou a desejar. Por alguns momentos pensei, "Amélie não é infalível", mas como ela é uma caixinha de surpresas, logo surgiam pérolas que faziam com que eu calasse a boca e me ajoelhasse em devoção a ela mais uma vez. Então em algumas palavras ela definiu tudo o que sempre quis ser: "Quando pequena, eu queria tornar-me Deus. Não demorei a me dar conta de que seria pedir demais, e verti um pouco de água benta em meu vinho de missa: seria Jesus. Mas logo tomei consciência do meu excesso de ambição e aceitei 'fazer-me' de mártir quando fosse grande".
Por Amélie perdi a vontade de escrever mesmo com ela dizendo: "Escrever me dá um prazer intenso, é amoral que me paguem por isso". E eu sinto prazer ao pagar pelos livros de Amélie, por quanto tempo isso será suficiente, eu não sei. Quem sabe um dia eu crie a biografia da autora que acabou com minha vontade de escrever. A trama já começa de um ponto de vista bem ameliano...
Tanto tempo sem escrever... apenas dois motivos: revisitar a obra de Amélie antes de escrever sobre ela e eleger prioridades. Como alguns já sabem, estou me sentindo o Coelho Branco da Alice no País das maravilhas. Depressa, rápido, não vai dar tempo...
A Revista YMSK foi atualizada. A Discotopia com a segunda parte da lista com os maiores festivais de música está lá, assim como um perfil da Björk. Também tem elogio que será lembrado por mim a vida inteira. Um dia pago o responsável por isso!
No próximo Receituário: 5 artistas que você não pode deixar de ouvir...

