Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Quem é x e x?

Pois é, derrubaram a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Tenho muito orgulho do meu diploma e só eu sei como os 8 semestres do curso fazem a diferença. Claro que não acredito que um certificado seja tudo na vida, mas a busca pelo conhecimento só tende a melhor o ser humano.

Um bando de "revolucionários" pensam que "se a casa já está suja, o melhor mesmo é fazer a festa", ou seja, acham que não precisar mais de Faculdade para ser jornalista é a oitava maravilha. Em termos práticos, provo que não.

Enquanto esbraveja em seu blog no Uol que todo curso de jornalismo é uma porcaria, André Forastieri esquece (ou esqueceu de ensinar quem faz isso por ele) que depois que a gente escreve um texto, ele precisa de revisão. Veja:

A nota publicado no blog Bis, da MTV é uma maravilha. Se ele prevê que "Vão fechar todos os cursos ou quase, espero, o que é bom para o futuro jornalismo brasileiro", é melhor você passar a ler apenas ficção.

A propósito, como ainda sou a "idiota" que pensa que diploma de jornalismo vale alguma coisa, respondo para o Forastieri quem são x e x: Martin L. Gore e Andrew Fletcher.

No próximo Receituário: o mundo é cheio de incertezas...

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

De volta ao batente...


Como eu realmente não sabia como escolher um tema relevante para escrever, e ninguém tem me dado ideias, resolvi revelar que sai do meu "ostracismo crítico". Depois de quase 6 meses sem escrever uma resenha musical arranjei um cantinho novo que finalmente me inspirou da forma como eu estava precisando ser inspirada....

O Nick Cave está cantando no meu ouvido "And it must be nice..." e mais uma vez ele está completamente certo (será mera coincidência o fato de eu estar com minha amada camiseta do frontman dos Bad Seeds?!). Durante algum tempo eu perdi a vontade de escrever simplesmente porque eu não encontrava um meio que publicasse os meus tempos, mas que também me incentivasse e fizesse eu pensar cada palavra que formaria meu texto. Agora eu tenho, and its really nice!

Desde ontem meu primeiro texto para a Revista Paradoxo está no ar. Uma crítica sobre o disco Live in London do magnífico Leonard Cohen, realizada a base de muito suor e sangue frio que me levaram a escrever 5 páginas, que depois foram sumariamente deletadas, levando a um começo mais "maduro" e mais conciso, mas nem por isso menos trabalhoso.

Com tanto tempo sem escrever admito que me senti meio enferrujada, mas no fim a vontade de voltar a fazer algo significante falou mais alto, além de saber que conseguir tirar a poeira valeria a pena! Sem dúvidas...

Por isso, passem lá na Revista Paradoxo e leiam A arte personificada em Leonard Cohen e me digam o que acharam. Conselhos, elogios, críticas, tudo vale...

No próximo Receituário: ???

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

05 livros para serem lidos em uma maratona literária:


Uma das coisas que eu mais gosto em Porto Alegre é a cena cultural. Talvez porque eu conheça como é a vida no interior, onde se tu tem um gosto musical ou literário um pouco menos popular acaba se tornando um estranho no ninho, valorizo o ambiente que a capital gaúcha propícia para as pessoas interessadas em algo mais do que aquilo que a mídia tenta enfiar goela abaixo.

Semana passada, no dia 22 de abril, foi realizada uma Maratona Literária no Centro Municipal de Cultura. Quem conhece lugares como este e tantos outros que podem ser encontrados em Porto (como a Casa de Cultura Mario Quintana e o Santander Cultural) sabe que a atmosfera destes lugares é algo que transcende a localização. Então nada melhor que copiar a maratona que já ocorria em Madri (porque sim, tudo o que é bom pode ser copiado) e transformar em algo legitimamente gaúcho.

Na primeira edição da empreitada, o livro escolhido foi "Cem anos de solidão" do escritor colombiano, Gabriel García Marquez. Para quem ainda não captou qual a ideia destes encontros, nada melhor do que usar a apresentação da comunidade do evento no orkut para descrevê-los: "Um livro, uma data e um lugar para leitura em grupo. Cada um lê, em voz alta, os trechos que desejar entre goles de café e algumas pausas para recuperar o fôlego da corrida. Ao final do livro ou do fôlego dos leitores será a vez da premiação literária". Para as próximas edições do evento, a escolha do livro será feita por meio de enquetes na Internet, por isso, aqui eu registro as minhas cinco indicações:

05) "As cidades Invisíveis" - Italo Calvino: admito que ainda não acabei a minha leitura, mas posso vislumbrar a ideia de um grupo de pessoas lendo em conjunto e todos sentindo aquelas emoções intensas que são despertadas quando percorremos este livro, com suas memórias descritas como se fossem algo que vive alem da lembrança do autor, mas também está na nossa. Pela catarse emocional que deve provocar no grupo, esta é a minha quinta opção...

04) "Grandes Esperanças" - Charles Dickens: que Dickens é um dos meus escritores prediletos, a maioria deve saber. No entanto este livro é o escolhido no meio de tantos mais renomados porque é ele quem consegue provar como o escritor inglês era um profundo conhecer da sociedade e do ser humano. De certa forma, lendo Dickens também é possível perceber que nós podemos ter evoluído muito, mas nem por isso somos assim tão diferentes...

03) "As três Marias" - Rachel de Queiroz: para não dizerem que só são valorizados os escritores estrangeiros, aqui está uma representante da literatura brasileira, e ainda mais, uma mulher. Percebo que a maioria dos jovens tem o nariz torcido para as obras do nosso país porque o vestibular de certo modo é capaz de traumatizar a capacidade leitora destas pessoas. Então, por isso, sendo uma traumatizada recuperada, digo que este livro de Rachel de Queiroz é o remédio perfeito para quem quer voltar a apreciar a capacidade criativa de nossos autores...

02) "Os sofrimentos do jovem Werther" - Goethe: se Cem anos de solidão é impactante, o que dizer da obra de Goethe? Uma coisa é certa, ninguém fica imune a história, que mesmo sendo curta não precisa de muitas páginas para prender o leitor e levá-lo a percorrer um labirinto nada feliz, mas que nem por isso é menos inspirador. Quando li Os sofrimentos do jovem Werther, minha impressão foi que por mais triste que seja a história, o que mais importa não é a capacidade de nos 'deprimir' e sim a de fazer com pensemos sobre tudo o que está a nossa volta e até que ponto somos culpados pelas nossas própria escolhas. Complicado de entender? Então vai ler o livro...

01) "O velho e o mar" - Ernest Hemingway: finalmente o meu escolhido. Hemingway é um autor que sempre estará nas minhas listas. Mas não importa o quão clichê possa ser, O velho e o mar sempre vai me deixar estupefata. Ás vezes parece impossível de compreender como um livro tão singelo pode abrigar tamanha profundidade, mas também sempre concluo que a complexidade não esteja na vida em si, mas em nós mesmos. Não há chance de alguém ler este clássico de Hemingway e não ficar com um milhão de perguntas em mente depois. E é isso que eu vejo como objetivo em uma maratona: alem de valorizar os livros, fazer com as pessoas percebam que a literatura é um meio para o conhecimento...

No próximo Receituário: um é bom e dois pode ser melhor ainda...