sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Público decepciona no show do The Cult


Antes de falar sobre o The Cult e sua performance em Porto Alegre, no dia 02 de outubro de 2008, tenho um protesto a fazer. O que há de errado com os roqueiros de hoje em dia?! Eles pagam uma fortuna para ver um show, ficam grudados no palco, mas em vez de assistir à banda, eles preferem passar o concerto inteiro concentrados em focar o que está acontecendo com a máquina fotográfica. Será que as pessoas não tem mais memória para registrar um momento como aquele? Fico imaginando as pessoas chegando em casa, fazendo o download do vídeo pro computador e dizendo: "Ahhh, vou ver o show do The Cult...". Tu já podia ter visto antes e de mais perto, seu panaca! Não sou contra a pessoa registrar (partes) de ocasiões como essas, mas há uma banalização da fotografia desde que surgiram as máquinas digitais. As pessoas andam em um lugar, vem uma porta pintada de amarelo e vermelho e precisam tirar uma foto, encontram uma moeda de um centavo no chão, fotografam... assim não dá! Será que é difícil compreender que a realidade e a lembrança podem ser muito mais saborosas do que um pedaço de papel impresso ou uma imagem no computador (que muitos colocam lá e nunca mais abrem, não é?!)?

Pois bem, desabafo feito, vamos ao que interessa... Com míseros 17 minutos de atraso, o The Cult subiu no palco no Pepsi On Stage (que melhorou 90% desde os tempos do show dos Strokes, mas a acústica ainda deixa a desejar). Dos cincos integrates da banda, apenas o vocalista, Ian Astbury, e o guitarrista, Billy Duffy, fazem parte da formação original. Já o baterista parecia um Mike Patton "fase Evidence", o guitarrista era a cara do Mick Jones em começo de carreira e com os dentes no lugar, enquanto o baixista devia ser o filho mais novo de Duffy, ou ao menos os dois freqüentam o mesmo cabelereiro.

Nesta turnê pela América do Sul, o Cult veio para divulgar o disco mais recente, Born into this. O início do show, mesmo contando com clássicos como Rain, não foi dos mais animados porque boa parte do público não conhecia as canções novas como I assassin, Savages e Dirty Little Rockstar. Astbury e Duffy se esforçaram para contagiar a platéia que em algumas canções, como Spiritwalker chegou a ficar morna, mas não aqueceu mais do isso.

Ian andava freneticamente pelo palco, mas deixou os fãs com vontade de ver o ídolo dos tempos de discos como Eletric, Sonic Temple e Love. Uma das melhores vozes do rock anos 80, o vocalista do The Cult demonstrou força de vontade durante a apresentação de apenas 1 hora e 20 minutos, no entanto tanto os passos de dança que relembravam o xará Ian Curtis durante um espasmo epilético, quanto a incapacidade de seguir as melodias originais (e as letras) das canções decepcionou. Mas é possível perdoar Astbury porque ele tentou... foi simpático com os fãs, contou histórinhas e fez rock n' roll de qualidade, mesmo comentendo o pecado de cantar Wildflower sem a companhia de seu pandeirinho.

Já Billy Duffy fez um show a parte. Esmirilhou nas guitarras, trocando de instrumento inúmeras vezes (mas nada superava a guitarra Gretsch White Falcon), arrancando riffs que se perpetuaram na história da música como alguns dos mais criativos. Duffy fez de tudo, mas acima de qualquer coisa, foi um legítimo profissional do rock n' roll, especialmente quando repetia a pose que estampa o disco Sonic Temple. O fim da primeira parte aconteceu quando o show começava a deslanchar. Love Removal Machine conseguiu fazer com que o povo esboçasse uma reação de genuíno entusiasmo que continuaria no bis com Sweet Soul Sister e She sells Sanctuary. Gostinho de quero mais... a insosa Edie (ciao baby), poderia ter cedido lugar a Lil' devil e Revolution.

O show foi curto, mas para a maioria das pessoas que foram ao Pepsi On Stage isso pareceu não fazer diferença. Em alguns casos porque eles sabiam que haviam presenciado 80 minutos do melhor rock visceral. Para outros o tempo foi o bastante simplesmente porque eles não pareciam se importar com isso. No fim das contas, o The Cult fica de parabéns e o público roqueiro merece um puxão de orelha já que não compreende mais o espírito da coisa. Como disse Ian Astbury em uma conversa com os fãs: "Hoje os cabelos compridos sumiram, as pessoas não são mais selvagens, são homens de negócios".

No próximo Receituário: posso falar em monografia?!

11 comentários:

Lívia disse...

então tu foi? não conheço muito do cult, mas acho a voz do Astbury tão fenomenal. é meio maluca mesmo essa história das câmeras e celulares, como tudo, tem seus prós e contras. pra que filmar o show inteiro? nem fica bom mesmo! tava lendo o post debaixo e acho que nós devemos ser muito parecidas mesmo... até marcos rey tu lia? tá certo que só li um (bem-vindos ao rio), mas adoraaaava o livro. aqueles teus alteregos do orkut também, vários poderiam ser os meus também! hehe beijos, bom findi!

Fabrício disse...

O show foi em 2008.

Quanto à banalização da fotografia, concordo 100% contigo. Qualquer um hoje em dia pode ser um grande fotógrafo com seus milhares de ajustes e correções digitais. Para onde foi a arte da fotografia?

Sabia que os melhores fotógrafos ainda usam filme/croma?

Não mencionou "Painted on my heart", eles tocaram?

Lidiana de Moraes disse...

Viajei bonito no 2009... acho que já tô tão cansada de escrever 09/01/2009, que tudo rpa mim virou 09!

Quanto a Painted... não, eles não tocaram.

Eduardo Carli de Moraes disse...

Olá, Lidiana! Aqui é um de seus colegas de Revista o Grito!, que está sempre devorando teus belos textos por lá e anotando todas as boas dicas que vc dá. Baixei o último do Okkervil River depois de ler sua recomendação e achei bacaníssimo! E já li várias outras resenhas tuas muuito legais e bem escritas. Parabéns - cê manda bem! =)

Voltarei mais vezes por aqui, sim? Keep on rockin'!!!

Denis Pacheco disse...

Acho que vc matou a pau qdo afirmou categoricamente q o Ian Astbury é uma das melhores vozes dos anos 80. O The Cult pode nao ter um numero de hits imortais imponentes como outras bandas da mesma leva, mas certamente tem um brilho bem particular!

Cadê vc em SP ou cadê eu aí pra ir no show contigo?

Denis Pacheco disse...

acredita q eu to correndo o sério risco de nao ir no show daquela bandinha por falta de companhia DE NOVO? ngn q eu conheço curte, todos preferem ir no Planeta Terra ver o Offspring (?)

Ingrid Guerra disse...

Maninhaaaaa, saudades! Eu amei essa última foto. Tá linda! Adorei. Eu tô entrando em horários aleatórios no MSN, mas nunca te vejo. Estou meio sem saco pra tudo, mas... que nada. Um super beijão procê. Me diz sua sala, mala, pra eu te dar um abraço na quarta, ao menos. Bjs.

Josiane disse...

Lidi, ótimo comentário e muito sensível ao que ocorre ao teu redor. O uso das máquinas digitais está extremamente banalizado.Fui a uma festa de aniversário e o menos importante parecia ser o aniversariante, pois a maioria estava mais preocupada em registrar-se(sim!auto-fotografia!) do que curtir a festa.
Quanto a banda, já gostei mais...de roqueira passei à "mulher de negócios" :)

Ingrid Guerra disse...

A do Billy Duffy: a última foto deste post, ora pois. haha. Bjs.

eduardo disse...

Olá Lidiana! Nossa, tb adorei teu comentário e tb agradeço de coração! Qto à teatro, num sou "ligado" a ele não, se com isso vc diz ser ator, diretor ou gente da organização - sou um mero entusiasta e frequentador! Meu lugar é no público, já q minha timidez nunca me deixaria enfrentar um palco... ;)

Vou fazer um linkzinho pro Receituário nos meus blogues, com ctza, e estarei de volta aqui sempre q der! Vc q gosta de música, entra no depredando.blogspot.com, onde trato mais dessas popices! A Muminha é mais "Querido Diário...". ;)

Bjos! Nice to meet ya'!

Lívia disse...

finalmente li tua entrevista com o vocalista do Moptop. meus parabéns, ficou ótimo! beijo!