segunda-feira, 5 de maio de 2008

Escreveu mas não ouviu...

Eu nem peço mais perdão pela demora! A coisa tá difícil, mas não vou ficar me lamentando... mas a partir de hoje vou tentar me comprometer novamente com a idéia de "no mínimo um post por semana"...

Seria muito fácil cumprir essa meta se eu não tivesse preocupação alguma com a qualidade do que eu publico, porém por mais descuidados que tenham sido meus últimos textos, nunca quis e não pretendo fazer do Receituário um lugar do tipo "diário hoje eu acordei, escovei os dentes e fui pra aula ver minhas miguxas"... antes o fim a isso.

Faz tempo que eu quero comentar uma notícia que eu li e me deixou meio passada. O Black Crowes (banda rock-hipponga das mais legais) está voltando com disco novo depois de anos de separação. O problema é que o irmãos Robinson estão processando uma revista (que não merece ser nomeada) porque ela criticou o disco. O Receituário não é a favor da censura, então o problema nessa história é que o trabalho foi resenhado sem nem ao menos estar acabado. Opa, como assim?

De acordo com a banda o jornalista que fez a crítica não teria como escrever sobre ele baseado no pouco que já há finalizado, ou perto do fim. Na verdade há até dúvidas sobre o que o jornalista ouviu... Eu, como estudante de jornalismo, cursando a cadeira de jornalismo de opinião, quase formanda, me sinto envergonhada por ler uma coisa dessas... são situações como essa que fazem com que as pessoas desacreditem a nossa profissão. Em horas assim eu fico me perguntando se vale de alguma coisa tantas aulas de Ética?!

O jornalismo de opinião a cada dia parece ser levado menos a sério, como se fosse uma tarefa que pode ser realizada por qualquer um que saiba fazer comentários ácidos que chamem a atenção não pela profundidade ou argumentação e sim pela quantia de maldade que possa haver neles.

Durante todos esses anos de faculdade, o jornalismo de opinião foi uma das áreas que sempre me chamou a atenção. Em especial adoro críticas culturais (em especial literarias e musicais). No entanto às vezes a minha consciência ética me pergunta: o quão preparada você está para avaliar e julgar os outros? Não sei se um dia terei uma resposta definitiva. No entanto posso afirmar: em todos esses anos escrevendo seja no blog ou na YMSK (que agora está de cara nova) nunca fiz uma crítica sobre um disco que eu não tenha ouvido.

Admito que ultimamente não tenho ouvido muita coisa nova porque como já disse 1 zilhão de vezes, 2008 não tem sido um bom ano musical para mim. E por mais que tenha aparecido nas últimas semanas no meus Last FM, eu não posso resenhar Jeito Moleque e Exaltasamba (o programa já foi desinstalado do computador da minha prima). Sobre o que eu posso escrever? Música, sempre... mas sempre aquela que eu ouvi o bastante para não ser processada por opiniões infundadas e inventadas!

No próximo Receituário: sem paraaaaaaaar...

3 comentários:

Denis Pacheco disse...

"diário hoje eu acordei, escovei os dentes e fui pra aula ver minhas miguxas" - se um dia encontrasse um post desse aki no receituario teria certeza que o Dia do Julgamento se aproxima, rs

Curioso vc falar sobre sua capacidade crítica ("o quão preparada você está para avaliar e julgar os outros?"). Acho que nada é capaz de nos preparar, pelo menos não numa estrutura formal...

o que nos conduz a adentrar no reino da crítica é uma insaciável curiosidade pelo "sentido". Ou seja, nos disposmos de todo o nosso repertório para achar novos sentidos naquilo que criticamos, como investigadores (acho um termo mais adequado ao invés de 'criticos') procuramos por pistas, respostas e fazemos nosso julgamento a partir de nossas descobertas e intuiçoes, tentando sempre sermos justos.

Stéphane Dias disse...

falando em crítica...fiquei pensando se realmente temos uma crítica musical, literária e cinematográfica no RS (e até no Brasil!).
é muito fácil darmos opiniões acerca do que gostamos ou não..o difícil é realmente conhecer sobre o que falamos e fundamentar nossos juízos...agora, me veio à mente a peça Educating Rita, de Willy Russell, que trata de tal problemática (dentro do universo acadêmico). Pois bem, como o assunto é música, recordei a polêmica versão da banda Nenhum de Nós da música de David Bowie - O Astronauta de Mármore. Nunca havia escutado essa canção atentamente, mas havia escutado as críticas ácidas em relação a ela, com bastante atenção. Em uma fala do Thedy Corrêa sobre a inspiração da composição e sobre os níveis de significação da letra, me deparei com a questão de uma crítica musical que, certamente (como eu), não compreendeu a poesia em questão. Então, minha contribuição para o caso é a sugestão de que os futuros críticos - e os contemporâneos - mantenham-se atualizados e sempre estudem a matéria sobre a qual tecerão suas palavras sugestivas. Agora, vou ler...já era para estar fazendo isso...

Fabrício disse...

"O jornalismo de opinião a cada dia parece ser levado menos a sério, como se fosse uma tarefa que pode ser realizada por qualquer um que saiba fazer comentários ácidos que chamem a atenção não pela profundidade ou argumentação e sim pela quantia de maldade que possa haver neles."

Infelizmente é o que estou presenciando e assimilando em todas as críticas de artes lidas neste século. Apesar de que a última década do século passado também não apresentou muita cultura e criatividade por parte dos jornalistas. Pior ainda são as informações trazidas pela televisão. E não me refiro somente aos canais de música.

Ainda bem que temos as "publicações playmobil" para levantar o nível. (apesar de que a notícia postada agora é antiga) hehehe

Beijo.