terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

05 canções de ninar perfeitas...

O Receituário Pop volta antes do previsto simplesmente porque não agüentava mais ficar longe. Este mês que passou serviu para mostrar que tédio, apesar de chato, não mata, e que com alguma sorte pode ser proveitoso. Pude diminuir consideravelmente a minha pilha de livros a serem lidos. Aqueles que realmente marcaram, logo mais apareceram por aqui. Minha monografia começou, antes do prazo, aliás. Coitado do meu orientador. Quando eu entregar o meu anteprojeto, finalizado em dezembro, terei que anexar um anteprojeto, quase novo, com todas as mudanças que eu fiz, então passei a acreditar que até uma nota 10 pode ser melhorada. E a minha vontade de monografar é tanta que vou atrás de uma nota 11.

Tirando isso, a única grande descoberta que fiz foi qual é a pior dor no mundo. A medalha de ouro vai para a pedra nos rins. Sim, no primeiro dia das minhas grandes férias tive que ser levada as pressas pro hospital por causa de uma dor horrível, mas os pouparei dos detalhes sórdidos (quem for sádico o bastante, peça os detalhes privadamente). Só para ter uma idéia, passei o dia todo no hospital à base de sedativos que faziam efeito, mas em pouco tempo não serviam para mais nada. Então qual foi o veredicto da médica? Que se eu não conseguisse mais suportar a dor, o próximo passo era a morfina. Morfina só morta. Tive que segurar no osso mesmo.

No fim das contas decidi que não terei filhos. Por quê? Não apenas não tenho instinto maternal a flor da pele (apesar de ter dois nomes prediletos para os pimpolhos) como também aprendi com todas as pessoas que entendiam de cálculos renais que a dor só é comparável com a do parto. E mesmo assim, para dar a luz existem sedativos e mil e um meios quase indolores. Já para o meu martírio...

Por tanto, para matar a saudade daqueles que a sentiram, o Receituário bolou a lista das 5 músicas que dariam ótimas canções de ninar. Isso em homenagem aos filhos que não terei e que me pouparam da dor, assim como eles serão poupados de uma mãe que não pretendia ser ortodoxa quanto as melodias que embalariam os seus sonos. Me disseram que com o tempo eu mudarei de idéia e que o instinto maternal aparecerá, mas por enquanto continuarei apenas pensando em como ser uma dinda e tia bacana. Por isso abaixo ao atirei o pau no gato e ao boi da cara preta...

05) Soul Asylum – The Sun Maid: gosto de canções que contam uma historinha, que tenham um personagem. No caso dessa música há um trocadilho com a palavra made (feita) e maid (solteirona ou empregada), que tem a mesma pronúncia, mas sentidos bem diferentes, criando uma metáfora sobre alguém feita de sol que está à procura de uma sombra. Um singelo dedilhar de violão e uma batida preguiçosa acompanham a letra: Though they say she`s not too bright, she takes care of all the light, without you we all be in the dark...

04) Wilco – My Darling: uma das minhas prediletas de todas que já foram feitas pelo maravilhoso Jeff Tweedy. Eu lembro a primeira vez que a ouvi, eu estava viajando de ônibus e não deu outra, obedeci as ordens de Tweedy e só acordei quando cheguei no meu destino: Go back to sleep now, my darling and I'll keep all the bad dreams away. Breathe now, think sweet things and I'll think of all the right words to say…

03) Grant Lee Phillips – Suzanna Little: mais uma historinha para ser contada. Dessa vez o meu trovador predileto, Grant Lee (vide Gilmore Girls) fala sobre a pequena Suzanna, uma menina que vai para o céu enquanto a sua jornada é contada pela sonoridade de um piano que se desenrola lentamente como uma lágrima que vai caindo aos poucos de emoção...

02) Jimmy Hendrix – Little Wing: deixemos a psicodelia e os riffs de guitarra de lado para pegar emprestado a graciosa letra dessa canção que pode ter embalado muitos sonhos durante o Woodstock. Tudo que é relativo a céu (nuvens, sol, lua...) parece ter um apelo para com as crianças, provavelmente pela dimensão onírica desses elementos. Não é a toa que a primeira frase diz: Now she is walking through the clouds...

01) Smashing Pumpkins – Farewell and goodnight: é elementar que meus filhos não sairiam imunes da minha idolatria a Billy Corgan. A última faixa do disco 2 do clássico Mellon Collie é um fechamento perfeito para um disco tão variado quanto este. Outra música que beira o infantil seria a número 8, Stumbleine, no entanto, a letra de Farewell, como já diz o título, tem tudo a ver com o ato de cair nos braços de Morfeu: Goodnight, my love, to every hour in the every day, goodnight, always, to all that is pure in your heart, goodnight, may your dreams be so happy and your head lite with the wishes of a sandman and a night light ...

No próximo Receituário: talvez um coração cansado...

7 comentários:

Denis Pacheco disse...

Senti tanto sua falta q doeu...
(não tanto como a pedra nos rins, mas... não vou estragar o momento com tecnicalidades médicas, rs)

Ingrid Guerra disse...

Prometo procurar todas as músicas no Youtube depois, para ver se concordo ou não com as escolhas. Já quanto a maternidade, ma petite, vivo ouvindo esse papinho de "você vai mudar de idéia". Tudo porque a humanidade não aceita os seres que simplesmente não tem essa vontade toda de se tornar modelo familiar. Então, não esquenta, não. Bem vinda ao time! Bjão. Que bom que voltaste! Ah. mudei-me. http://arquivosdegaveta.blogspot.com

yanZito disse...

Voce tbm nao quer ter filhos? Nossa...eu acho que vc tem andado d + com a Ingrid heim.......rssssss

Se a raça humana fosse depender de vcs duas, com certeza nós seriamos extintos.......rs


bjokasss!!

;)

Fabrício disse...

Minha prepotência te sugere algumas canções de ninar que agradam aos ouvidos adultos e estou certo que agradariam também aos ouvidos pueris:

1) "Love Street" e 2) "Yes, the river knows", ambas do The Doors no álbum "Waiting for the Sun";

3) "Angel" do Jimi Hendrix;

4) "We're gonna be friends" da dupla White Stripes;

5) "I will" dos Beatles.

Não é uma lista de "tops". Essa é a ordem em que as idéias vieram à tona.

Beijo.

Janine disse...

não conheço nenhuma dessas, vou buscar. uehueheiue nem imagino como seja essa dor! xD só sei que também não quero filhos...

mas acho que no seu caso, seus filhotes iam crescer ouvindo música boa :D

;*

Matheus Passos disse...

Tu idolatra o Billy Corgan porque ele escreveu uma música dizendo "boa noite, sempre, pra tudo que seja purê no seu coração"??????

Fred disse...

falta alguma do yo la tengo aí. =P